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Aids: evolução no tratamento e casos entre os jovens

18/12/2015

Quem presenciou o auge da epidemia da Aids, na década de 90, sabe o quanto esse cenário mudou, e para melhor. Além da proporção de novos casos de contaminação vir reduzindo no país, como indica o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids deste ano, os tratamentos atuais são cada vez mais eficientes. Porém, a taxa de infecção em jovens entre 15 e 24 anos aumentou 40% de 2004 a 2014, segundo a mesma publicação. Qual seria a explicação para essas ocorrências?

“Essa geração não passou por aquela fase tão assustadora da doença, na qual tantos ídolos faleceram em decorrência dela. Acredito que isso pode ser um dos motivos desse descuido maior”, sugere a infectologista Mônica Jacques de Moraes, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, e membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Outra hipótese apontada pela profissional é que também existe certo otimismo com relação aos tratamentos disponíveis atualmente, que garantem uma ótima qualidade de vida. “De fato, o tratamento evoluiu muito. Antes, os famosos coquetéis, que contemplavam uma infinidade de medicamentos, causavam muitos efeitos colaterais. Mas, hoje, para muitas pessoas basta tomar apenas um comprimido ao dia, feito à base de três tipos de medicamentos, que causam bem menos desconforto e são muito mais eficientes. Sem falar nas diversas outras opções terapêuticas. Tudo isso tem proporcionado ao portador de HIV uma vida tranquila, saudável e longeva”, destaca.

Entretanto, enquanto as pesquisas científicas continuam progredindo para alcançar as melhores fórmulas para o tratamento da Aids, há um longo trabalho a ser feito com relação ao comportamento das pessoas em relação à doença.

“Precisamos entender que o jovem perder o medo de ser contaminado significa uma abertura para trabalhar prevenção a partir da sexualidade, afetividade e relacionamentos. É um momento perfeito para falar sobre gerenciamento de risco e de responsabilidade pela própria vida sexual”, aponta Gabriel Estrëla, ator e portador do vírus.

Ele reforça que o preconceito continua sendo um grande empecilho para a prevenção e o tratamento da doença. Ele se manifesta de diversas formas, como no machismo – quando se discrimina mulheres que andam com camisinha –, ou na homofobia, que leva homens heterossexuais a acreditarem que não precisam se prevenir e fazer exames, assim como em tantos outros tabus.

Quando o assunto é prevenção, Mônica destaca: “O uso de camisinha continua sendo indispensável nas relações, pois além dela proteger contra a transmissão do vírus HIV, é eficaz também na proteção contra outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis”, salienta.

Em caso de diagnóstico positivo, Gabriel frisa a importância de iniciar o tratamento o quanto antes. “Muito tempo se passou desde que a Aids era o bicho-papão da década de 90. Hoje, podemos tratar o HIV para nunca evoluir para um quadro de Aids, e você pode, sim, viver muito feliz”, declara.

Ser portador do vírus HIV x Aids

Quando uma pessoa foi infectada pelo vírus HIV, significa que ela apenas o tem circulando no organismo, mas não tem a doença desenvolvida. “Aids é só quando a pessoa adquire o quadro de imunodeficiência grave. Isso costuma acontecer após muitos anos com o vírus, é uma fase avançada da infecção, mas, com tratamento, ela pode ser evitada ou revertida”, explica Mônica.

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