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Descongestionante nasal pode viciar?

02/01/2015

Gripes, resfriados e alergias respiratórias são muito comuns com a constante mudança de temperatura e, com isso, a sensação de nariz entupido pode incomodar bastante. Para amenizar esses sintomas, muitas pessoas recorrem aos descongestionantes nasais, ignorando os efeitos colaterais.

O medicamento é indicado, principalmente, em casos de obstrução nasal aguda, decorrente de um resfriado ou de uma crise alérgica. Para casos de obstrução nasal por desvio de septo ou poluição, não há grande eficácia e o uso é contraindicado.

A ação do descongestionante nasal simula o efeito da adrenalina no corpo, desobstruindo as vias orais e dando uma sensação de bem-estar instantânea. “A adrenalina é um hormônio que, lançado na corrente sanguínea, aumenta a frequência e o volume de sangue por batimento cardíaco, eleva o nível de açúcar no sangue e diminui o fluxo sanguíneo nos vasos, direcionando-os para a musculatura voluntária”, explica Bruna Fernandes, farmacêutica coordenadora de treinamento da Regional Sul da Legrand.

Segundo a farmacêutica, esse tipo de medicamento possui componentes capazes de contrair os vasos sanguíneos, diminuindo o inchaço, e não deve ser usado indiscriminadamente para qualquer caso de obstrução nasal.

“Os descongestionantes tópicos nasais (epinefrina, nafazolina e oximetazolina) devem ser usados por, no máximo, cinco dias consecutivos, e de oito em oito horas. Quando usado por tempo prolongado (superior a dez dias) pode levar à taquifilaxia (rápida diminuição do efeito de um fármaco em doses consecutivas), edema rebote na mucosa nasal e rinite medicamentosa. Há outros tratamentos indicados para esses casos, como antialérgicos e alguns anti-histamínicos”, afirma Bruna.

A farmacêutica alerta que descongestionantes nasais usados de forma inadequada podem, sim, viciar: “Isso porque, ao repetir o mecanismo diversas vezes, a musculatura começa a não funcionar mais como deveria, e o paciente precisa usar cada vez mais quantidade para manter o conforto nasal”.

O uso contínuo do medicamento também pode mascarar alguns problemas, como a sinusite - uma infecção que necessita de antibiótico, podendo se agravar com efeitos no crânio em longo prazo. “Os efeitos colaterais que podem ocorrer são: aumento da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, reações químicas e até perfuração do septo nasal”, adverte.

Bruna explica ainda que nem todas as pessoas podem utilizar o medicamento, como hipertensos, cardíacos e crianças, devido ao efeito vasoconstritor. “É preciso ter cuidado especial com o uso por crianças, pois o risco de intoxicação é maior entre elas”, acrescenta. “A melhor forma de evitar qualquer problema é substituir o descongestionante nasal pelo soro fisiológico associado ao uso de corticoides nasais”, conclui.

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